Os conflitos armados do final do século XX e início deste século XXI tem uma característica marcante: viraram grandes espetáculos de mídia. Nos últimos grandes combates, a cobertura televisiva foi em tempo real e se estendeu a outros veículos, principalmente para a Internet. Mas o leitor pode perguntar: e daí? Com o desenvolvimento tecnológico das telecomunicações, isto não é uma conseqüência normal? Claro que sim, mas vejam que o anormal é colocar em horário nobre a carnificina insana nas telas de televisão, dividindo a atenção dos familiares entre o jantar e o “espetáculo” da guerra.
Outro ponto a se refletir é a questão do grande número de filmes feitos a partir de câmeras instaladas nos próprios equipamentos, dando conta da sua precisão em acertar e destruir alvos (muitas vezes humanos). No imediato momento em que isto é publicado na televisão ou na internet temos uma sórdida campanha publicitária para vender armamentos para interessados em fortalecer seus exércitos ou mesmo de ditadores se equiparem para destruir qualquer oposição. E o que é pior: chefes tribais da África sonham em contar com armamentos modernos para destruir seus inimigos seculares e assim dominar mais territórios, em guerras que somente atingem uma população pobre e ignorante que no mais das vezes só consegue sobreviver a custa de missões humanitárias da ONU. Também a produção cinematográfica conta grandes “feitos” de heróis militares que enfrentam terroristas (outrora foram os comunistas soviéticos) em missões quase suicidas e no fim, depois de vitórias colossais (em que usam de todo o armamento moderno disponível, mostrado com destaque nas cenas), ainda se voltam contra seus governos em um hipócrita acesso de justiça. Assim Stallone fez a sua carreira com Rambo, Schwatzneger virou até governador e outros tantos ganharam fama e dinheiro.
Mas a face mais cruel da guerra é que esta indústria poderosa emprega milhões de pessoas no mundo todos. Aqui no Brasil inclusive. Temos o exemplo americano, que de tempos em tempos arranja uma guerra, assim como foi no Iraque, Afeganistão e outras, para “gastar” seus estoques de armas e poder encomendar novos produtos mais modernos. Se analisarmos a história do século XX, em qual grande conflito os americanos não estiveram envolvidos? Precisam movimentar sua gigantesca estrutura de guerra e gastar cada vez mais para manter uma indústria igualmente poderosa e levar sua cultura a todos os cantos do planeta, nem que seja imposta pela força de seus canhões. Eisenhower, presidente americano e herói da segunda guerra, afirmava:” Onde vão nossas idéias....irão nossos produtos”. E seus produtos de guerra são testados na realidade cruel da batalha, contra inimigos infinitamente mais fracos. É a covardia aliada à tecnologia. Assim foi no Iraque, no Afeganistão. E agora Israel repete a mesma desproporcionalidade contra os palestinos. Certamente em nome de uma indústria bélica que já se destaca no mercado mundial. Ganhou divulgação no mundo inteiro de seus produtos, apesar das críticas. Ou vocês imaginam que generais sanguinários, de plantão, estão vendo a morte de seres humanos? Não, vêem apenas o desempenho e potencial das armas utilizadas.
Então meus amigos, quando assistirmos aos noticiários que falam dos horrores da guerra, pensemos também que este cenário nefasto pode muito bem estar sendo financiado não por governos ou ideais de justiça e liberdade, mas apenas em nome do comércio gigantesco e lucrativo de armas e por que não dizer....de vidas humanas. Fica aqui a sugestão para assistirem o filme “ O Senhor das Armas” que conta a história real de um mercador de armamentos sem escrúpulos, protagonizado por Nicolas Cage. Dá uma boa visão sobre este mercado da morte.- 21/01/2009
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